#Filme: A diversidade do Cinema Nacional

Embora sofra um certo preconceito, o cinema nacional é muito rico e diverso. Ainda mais depois de sua retomada na década de 90, onde os estúdios e diretores tiveram uma liberdade maior para produzirem seus filmes. E mesmo com toda a sua diversidade, ele é alvo de muitas críticas, e isso vem, principalmente, dos brasileiros, que insistem em comparar os nossos filmes com os americanos. O que é um total equívoco, uma vez que o cinema americano, assim como o brasileiro, possui filmes bons e ruins. Aliás, o cinema americano está repleto de filmes com roteiros fracos e mal desenvolvidos, mas muitos preferem fechar os olhos para isso e criticar o produto nacional, mesmo com suas qualidades. Além disso, o Brasil possui vários polos cinematográficos, em todas as regiões do país, o que acaba sendo responsável pela variedade de conteúdo, todos com técnicas, histórias e elenco distintos, contribuindo com sua diversidade. Separamos cinco obras nacionais que fazem jus à qualidade da sétima arte em nosso país.

Central do Brasil (Reprodução)

Central do Brasil

É um dos filmes brasileiros mais aclamados no exterior, concorrendo a diversos prêmios e inclusive tendo sua atriz principal, Fernanda Montenegro, indicada ao Oscar. Ele conta a história de Dora (Fernanda Montenegro), que trabalha na estação Central do Brasil no Rio de Janeiro escrevendo cartas para pessoas analfabetas. Em um determinado dia, Dora recebe uma mulher chamada Ana (Soia Lira) junto de seu filho, Josué (Vinícius de Oliveira), com o pedido de escrever uma carta para o pai do garoto dizendo que ele deseja visitá-lo. Só que ao sair da estação, Ana morre atropelada e o menino fica sozinho sem ter para onde ir. Dora acaba se aproximando do menino e decide ajudá-lo a encontrar o pai. É nesse momento que eles começam uma viagem rumo ao Nordeste.

É uma história muito comovente e que faz com que nos afeiçoamos aos dois personagens de forma muito rápida. O roteiro trabalha muito bem a relação entre Dora e Josué, que mesmo com suas diferenças, acabam se aproximando e mostrando uma relação mútua de carinho e respeito.

Bicho de sete cabeças (Reprodução)

Bicho de Sete Cabeças

Neto (Rodrigo Santoro), é um jovem que mantém uma relação conturbada com seus pais. Em uma de suas brigas, Wilson (Othon Bastos), pai de Neto, acaba encontrando um cigarro de maconha na bolsa do filho. Eles discutem e no dia seguinte, Wilson decide levar o filho ao psicólogo. Porém, Neto é enganado pelo pai e acaba sendo internado em um manicômio sem sua autorização e sem o diagnóstico necessário para tal medida. Neto, então, acaba tendo os piores dias de sua vida sendo responsabilizado por uma doença que nunca teve

É um filme muito pesado, retratando temas importantes como o abuso nos hospitais psiquiátricos, o uso das drogas e a relação de pai e filho em famílias mal estruturadas. Em todos esses assuntos, o roteiro cumpre a função de fazer com que o espectador reflita e entenda a gravidade de tais problemas. As atuações também são excelentes, com destaque para Rodrigo Santoro, que apresenta um Neto complexo, transmitindo todas suas dores e inquietações, principalmente após ser internado.

Hoje eu quero voltar sozinho (Reprodução)

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho

Um dos filmes mais comentados de 2014. O longa que veio após o sucesso do curta “Eu não quero voltar sozinho” narra a história de Leonardo (Guilherme Lobo), um adolescente cego que luta por sua independência. Ele e sua amiga, Giovana (Tess Amorim), são muito próximos e vivem conversando sobre assuntos de adolescentes. Porém, a vida dos dois muda completamente quando o colégio recebe o novo aluno Gabriel (Fábio Audi). Leonardo desenvolve sentimentos por Gabriel, e o roteiro acaba nos apresentando um romance entre os dois garotos, que além de lutarem contra todas adversidades por um deles ser cego, ainda precisam lutar contra o preconceito.

O filme é bem leve e sutil em sua temática, não retratando de forma realista a homofobia presente no Brasil. Há algumas cenas de bullying, mas elas nem chegam perto do que realmente acontecem no país. Analisando por esse lado, o diretor, Daniel Ribeiro, quis retratar um história que teria tudo para ser muito triste e dramática, com um toque mais doce e delicado. E fez isso, talvez, idealizando seus ideais através da relação dos personagens.

Teus olhos meus (Reprodução)

Teus Olhos Meus

Gil (Emílio Dantas) é um rapaz órfão de 20 anos que vive com sua tia. Devido o seu estilo de vida, ele acaba brigando com o marido de sua tia e sai de casa. Na rua, Gil, que é apaixonado por música, acaba conhecendo Otávio (Remo Rocha), um produtor musical que se identifica com ele e acaba oferecendo um trabalho em sua produtora. Com o passar do tempo, os dois acabam desenvolvendo um relacionamento.

Falar mais do que isso, é estragar a experiência de quem vai assistir. Isso porque o filme apresenta um final de deixar qualquer um de boca aberta. Ele não é muito reconhecido, o que acaba sendo uma injustiça, pois é um filme que apresenta um roteiro muito bem desenvolvido, retratando temas como homossexualidade e violência doméstica.

Que horas ela volta? (Reprodução)

Que Horas Ela Volta?

O filme conta história de Val (Regina Casé), uma babá e empregada doméstica que trabalha na casa de uma família de classe alta. Sua filha, Jéssica, mora em Pernambuco e decide vir para São Paulo prestar vestibular. Jéssica (Camila Márdila), que possui uma personalidade forte e não tolera desigualdades, acaba tendo certos atritos com os patrões da mãe, complicando a relação de Val com a família.

Com uma linguagem simples, o roteiro faz uma crítica em relação à situação das empregadas domésticas no Brasil e também ao sistema meritocrático em nosso país. E ele faz tudo isso, usando como base a relação de mãe e filha, mostrando as diferenças de pensamentos entre as duas gerações. É filme extremamente importante para refletir sobre condição atual do país.

Esse texto é uma parceria com o blog Uppermag

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